Dor lombar e dor pélvica na gestação: o que é comum e o que ajuda

Pilates para Gestantes 28 de setembro de 2026 3 min de leitura
Gestante descalça, de roupa preta, em quatro apoios num colchonete, arredondando suavemente as costas, em estúdio escuro com luz lateral.

Muitas gestantes ouvem que dor nas costas faz parte da gravidez, e que é preciso aguentar até o bebê nascer. É verdade que ela é comum. Não é verdade que não haja o que fazer. Este texto explica o que se sabe sobre essa dor e o que a evidência mostra que ajuda.

Quão comum é a dor lombar e pélvica na gestação?

Muito comum. Uma revisão sistemática de 2004 estimou que cerca de 45% das gestantes e 25% das mulheres no pós-parto têm dor lombar, dor na pelve ou as duas. Em cerca de uma em cada quatro gestantes a dor é forte, e em cerca de 8% ela chega a limitar muito o dia a dia. Depois do parto, a dor diminui para a maioria.

Trabalho físico pesado e ter tido dor lombar ou pélvica antes, inclusive em gestações anteriores, aumentam o risco.

Qual é a diferença entre dor lombar e dor pélvica?

A mesma revisão propôs separar as duas, porque elas se comportam de forma diferente. A dor lombar fica acima da pelve, na região da cintura. A dor da cintura pélvica fica mais embaixo e mais atrás, na região das articulações sacroilíacas, e pode aparecer também na frente, na sínfise púbica.

A dor pélvica costuma piorar em atividades que carregam uma perna só: subir escada, virar na cama, entrar no carro, ficar em pé muito tempo, caminhar longas distâncias. Cerca de metade das gestantes com dor tem dor pélvica, um terço tem dor lombar e o restante tem as duas.

A distinção importa porque o que alivia uma nem sempre alivia a outra, e por isso a avaliação é individual.

Por que a dor aparece na gestação?

Várias mudanças acontecem ao mesmo tempo. O peso cresce e se desloca para a frente, a curva da lombar muda, a musculatura do abdome se alonga e perde capacidade de sustentar, e os ligamentos ficam mais complacentes. Descrevemos essas mudanças no artigo sobre mudanças posturais na gestante.

A revisão de 2004 registra que os mecanismos exatos da dor ainda não são bem compreendidos. Foram observadas alterações na atividade muscular e na coordenação dos movimentos, mas sem uma explicação única. É mais um motivo para desconfiar de promessas de solução simples.

O exercício ajuda na dor lombar e pélvica da gestação?

Uma revisão Cochrane de 2015 reuniu 34 ensaios com mais de 5 mil gestantes. O exercício reduziu a dor lombar e a incapacidade. Programas de 8 a 12 semanas reduziram o número de mulheres com dor lombar e pélvica, e o exercício reduziu as faltas ao trabalho por causa dessa dor.

Para a dor pélvica isolada, a evidência é mais fraca, e os estudos não mostraram diferença clara. As diretrizes europeias sobre dor da cintura pélvica, de 2008, recomendam informação, tranquilização e exercícios individualizados para as gestantes.

O que ajuda no dia a dia?

São orientações práticas, e não resultados de ensaios, mas costumam aliviar quem tem dor pélvica:

  • virar na cama com os joelhos juntos, levando o corpo de uma vez;
  • sentar para vestir calça e calçar sapatos;
  • entrar no carro sentando primeiro e girando as pernas juntas;
  • dar passos menores e evitar ficar muito tempo em pé parada;
  • usar travesseiro entre os joelhos para dormir de lado.

Procure o obstetra se a dor vier com sangramento, perda de líquido, contrações, febre, ardor ao urinar, ou se for forte, repentina e diferente do habitual.

Onde o Pilates entra na dor da gestação?

O Pilates oferece o que a evidência recomenda: exercício individualizado, com carga ajustada à fase da gestação e ao tipo de dor. Nos aparelhos, é possível fortalecer quadril, tronco e costas com apoio, e trabalhar a simetria que a dor pélvica costuma pedir. Explicamos como a aula muda a cada trimestre no artigo sobre Pilates na gravidez.

Quando a dor limita o dia a dia, o exercício é conduzido como fisioterapia, como explicamos na seção sobre Pilates e fisioterapia. A aula experimental começa pela avaliação.

Referências

  1. Wu, W. H., Meijer, O. G., Uegaki, K., et al. (2004). Pregnancy-related pelvic girdle pain (PPP), I: terminology, clinical presentation, and prevalence. European Spine Journal, 13(7), 575-589. doi:10.1007/s00586-003-0615-y
  2. Liddle, S. D., & Pennick, V. (2015). Interventions for preventing and treating low-back and pelvic pain during pregnancy. Cochrane Database of Systematic Reviews, (9), CD001139. doi:10.1002/14651858.CD001139.pub4
  3. Vleeming, A., Albert, H. B., Östgaard, H. C., et al. (2008). European guidelines for the diagnosis and treatment of pelvic girdle pain. European Spine Journal, 17(6), 794-819. doi:10.1007/s00586-008-0602-4

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