Voltar a treinar depois do parto: os primeiros seis meses

Pós-parto 28 de setembro de 2026 4 min de leitura
Mulher descalça, de roupa preta, em quatro apoios num colchonete preto, em estúdio escuro com luz lateral.

Depois do parto, a pergunta sobre voltar a treinar costuma vir cercada de pressa ou de medo. Pressa para recuperar o corpo de antes, medo de fazer mal. As duas atrapalham. Este texto mostra o que as recomendações dizem, e por que o caminho de cada mulher é diferente.

Quando posso voltar a treinar depois do parto?

O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, na sua orientação de 2020, recomenda que a atividade física seja retomada de forma gradual depois do parto, assim que houver liberação médica. Mulheres que já eram ativas antes e durante a gestação podem, em geral, voltar a essas atividades no pós-parto, respeitando a recuperação.

A mesma orientação lembra que a atividade física no pós-parto está associada a benefícios como a prevenção da depressão pós-parto. Ou seja, o exercício não é só sobre o corpo de antes. É parte do cuidado com a mulher nessa fase.

A liberação é individual e vem do obstetra, que conhece o parto, as complicações e a recuperação de cada uma.

Por que o prazo não é igual para todas?

Porque os partos não são iguais, e os corpos também não. Um parto vaginal com laceração, uma cesárea, uma gestação de gêmeos, uma anemia, a amamentação e as noites sem dormir mudam o ponto de partida. Explicamos as particularidades da cesárea no artigo sobre pós-cesárea.

Há também o que a gestação deixou no corpo. A parede do abdome se alongou, e em muitas mulheres os músculos retos do abdome se afastaram, a chamada diástase. O assoalho pélvico recebeu carga por meses e, no parto vaginal, foi muito alongado. Esses tecidos se recuperam, mas no tempo deles.

Por onde começar?

Pelo que sustenta o resto. Respiração, assoalho pélvico e a parede profunda do abdome são a base, porque é nelas que a pressão dentro do abdome é controlada.

O treino do assoalho pélvico tem boa evidência na gestação, como mostramos no artigo sobre assoalho pélvico. No pós-parto, o efeito para quem já tem perda de urina persistente ainda é incerto, e por isso quem tem sintomas deve ser avaliada.

Sobre a diástase, a evidência é fraca nas duas direções. Uma revisão de 2014 encontrou que o exercício na gestação reduziu a presença de diástase em 35%, mas com estudos de baixa qualidade, e concluiu que o exercício pode ou não ajudar a prevenir ou reduzir o afastamento. Falamos disso no artigo sobre diástase no pós-parto.

A partir dessa base, a carga cresce aos poucos: primeiro com o corpo apoiado, depois em pé, depois com peso, e só então com impacto.

Que sinais pedem para desacelerar?

  • perda de urina, gases ou fezes durante o exercício;
  • sensação de peso ou de algo descendo na vagina;
  • abaulamento no meio da barriga ao fazer força;
  • dor na pelve, na lombar ou na cicatriz que aumenta com o treino;
  • sangramento que volta ou aumenta depois do exercício.

Qualquer um desses sinais é motivo para reduzir a carga e conversar com o obstetra. Nenhum deles precisa ser aceito como parte normal do pós-parto.

E a corrida e o treino pesado?

Correr e levantar peso pesado aumentam muito a pressão dentro do abdome e a carga sobre o assoalho pélvico. Por isso costumam ser as últimas etapas do retorno, e não as primeiras. Não existe um prazo único que sirva para todas: o critério é o corpo conseguir controlar a pressão e a carga sem os sinais da lista acima.

Essa progressão por critério, e não por calendário, é a lógica com que trabalhamos. Ela é coerente com as recomendações, mas não foi testada em ensaios clínicos com prazos definidos.

Onde o Pilates entra no pós-parto?

O Pilates é uma boa forma de percorrer esse caminho, porque começa exatamente pela base: respiração, controle da pelve e do tronco, carga baixa com o corpo apoiado. Nos aparelhos, a carga pode crescer semana a semana, e o trabalho vai aos poucos para os movimentos do dia a dia com o bebê: pegar no colo, agachar, carregar o bebê conforto.

Quando há dor, perda de urina ou diástase importante, o exercício é conduzido como fisioterapia, como explicamos na seção sobre Pilates e fisioterapia. A aula experimental começa pela avaliação.

Referências

  1. American College of Obstetricians and Gynecologists. (2020). Physical activity and exercise during pregnancy and the postpartum period: ACOG Committee Opinion, Number 804. Obstetrics & Gynecology, 135(4), e178-e188. doi:10.1097/AOG.0000000000003772
  2. Woodley, S. J., Lawrenson, P., Boyle, R., et al. (2020). Pelvic floor muscle training for preventing and treating urinary and faecal incontinence in antenatal and postnatal women. Cochrane Database of Systematic Reviews, (5), CD007471. doi:10.1002/14651858.CD007471.pub4
  3. Benjamin, D. R., van de Water, A. T. M., & Peiris, C. L. (2014). Effects of exercise on diastasis of the rectus abdominis muscle in the antenatal and postnatal periods: a systematic review. Physiotherapy, 100(1), 1-8. doi:10.1016/j.physio.2013.08.005

Aula de avaliação

Quer aplicar isso no seu corpo?

Na aula de avaliação analisamos postura, marcha e controle motor antes de propor qualquer exercício.

Agende sua aula de avaliação →