Hérnia de disco: o que muda no exercício, e o que não muda

Coluna 28 de setembro de 2026 3 min de leitura
Homem descalço, de roupa preta, deitado num colchonete com os joelhos dobrados, respirando com calma, em estúdio escuro com luz lateral.

Receber o diagnóstico de hérnia de disco assusta. A palavra sugere algo rompido, que só a cirurgia resolve, e a primeira reação costuma ser parar tudo. Os estudos contam uma história bem mais tranquila, e é ela que este texto apresenta.

O que é hérnia de disco?

Entre as vértebras há discos, com um anel externo fibroso e um núcleo mais gelatinoso no centro. Na hérnia, parte do material do disco sai da sua posição e pode encostar ou irritar uma raiz nervosa.

Os laudos usam nomes diferentes conforme o tamanho e o formato: abaulamento, protrusão, extrusão e sequestro. Essa diferença importa, como você vai ver adiante.

Se o exame mostra hérnia, é ela que causa a dor?

Nem sempre. Uma revisão de 2015 reuniu ressonâncias e tomografias de mais de 3 mil pessoas sem dor nas costas. A protrusão de disco apareceu em 29% das pessoas de 20 anos e em 43% das de 80. O abaulamento, em 30% aos 20 anos e em 84% aos 80.

Ou seja, muita gente tem hérnia no exame e não sente nada. Por isso o laudo precisa ser interpretado pelo médico junto com a história e o exame físico. Uma hérnia no exame e uma dor nas costas podem não ter relação entre si.

A hérnia de disco some sozinha?

Muitas vezes, sim. Uma revisão sistemática de 2015 reuniu estudos que acompanharam, com exames repetidos, pessoas tratadas sem cirurgia. A regressão espontânea aconteceu em 96% dos sequestros, 70% das extrusões, 41% das protrusões e 13% dos abaulamentos.

Há um detalhe contraintuitivo: as hérnias maiores, extrusões e sequestros, foram as que mais regrediram. O sequestro desapareceu por completo em 43% dos casos. O corpo tende a reabsorver o material do disco que saiu mais para fora.

Hérnia de disco precisa de cirurgia?

Na maioria dos casos, não. Um ensaio holandês publicado no New England Journal of Medicine em 2007 comparou cirurgia precoce com tratamento conservador prolongado em pessoas com ciática por hérnia de disco. A cirurgia aliviou a dor na perna mais rápido. Mas, depois de um ano, os resultados foram semelhantes nos dois grupos, e a chance de a pessoa se sentir recuperada foi de 95% em ambos.

No grupo conservador, 39% acabaram operando ao longo do caminho. A cirurgia tem o seu lugar, e a decisão é do médico com o paciente. Mas ela é uma escolha sobre a velocidade da melhora na maioria dos casos, e não sobre o resultado final.

Há exceções que pedem avaliação urgente: perda de força nas pernas que avança, dormência na região da virilha e das nádegas, ou dificuldade para controlar a urina ou as fezes.

Quem tem hérnia de disco pode fazer exercício?

Na maioria dos casos, sim, e ficar parado não costuma ajudar. As diretrizes para dor nas costas recomendam manter as atividades dentro do que a dor permite, como explicamos no artigo sobre dor nas costas: repouso ou movimento.

O que muda é a dosagem. Na fase de dor forte na perna, o objetivo é encontrar posições e movimentos que aliviam, e evitar os que fazem a dor descer mais pela perna. Quando a dor recua em direção à coluna, costuma ser sinal de melhora. Depois, a carga cresce aos poucos, até voltar às atividades normais.

Não existe uma lista de exercícios proibidos para todas as hérnias. O que existe é a resposta de cada pessoa, que precisa ser observada. Essa lógica é prática clínica comum, e não um protocolo único testado em ensaio.

Onde o Pilates entra na hérnia de disco?

O Pilates permite exatamente essa dosagem. Nos aparelhos, o corpo pode ser apoiado, a amplitude pode ser controlada e a carga pode crescer semana a semana, sempre a partir da resposta da dor. O trabalho vai do controle da coluna com o corpo apoiado até os movimentos em pé do dia a dia, como mostramos no artigo sobre Pilates para coluna.

Quando há dor que irradia para a perna, o exercício é conduzido como fisioterapia, como explicamos na seção sobre Pilates e fisioterapia. A aula experimental começa pela avaliação.

Referências

  1. Brinjikji, W., Luetmer, P. H., Comstock, B., et al. (2015). Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. American Journal of Neuroradiology, 36(4), 811-816. doi:10.3174/ajnr.A4173
  2. Chiu, C. C., Chuang, T. Y., Chang, K. H., et al. (2015). The probability of spontaneous regression of lumbar herniated disc: a systematic review. Clinical Rehabilitation, 29(2), 184-195. doi:10.1177/0269215514540919
  3. Peul, W. C., van Houwelingen, H. C., van den Hout, W. B., et al. (2007). Surgery versus prolonged conservative treatment for sciatica. New England Journal of Medicine, 356(22), 2245-2256. doi:10.1056/NEJMoa064039

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