"Pilates ou musculação?" é uma das perguntas mais buscadas por quem quer começar a treinar. A busca cresceu muito no último ano. A resposta honesta é que a pergunta costuma estar mal formulada. As duas são formas de treino de força, com ênfases diferentes, e o mais comum é que uma faça bem à outra.
Por que "Pilates ou musculação" é a pergunta errada?
Porque ela supõe que as duas disputam o mesmo lugar. Na prática, cada uma é melhor para objetivos diferentes, e a escolha depende do que você quer, de como está o seu corpo e do que você gosta de fazer.
O que a musculação faz melhor?
A musculação é a ferramenta mais direta para ganhar volume muscular e para levar a força ao máximo. Ela permite cargas muito altas, isolar grupos musculares e controlar com precisão o volume de treino.
E o volume importa. Uma meta-análise de 2017 mostrou uma relação de dose e resposta: quanto mais séries semanais para um músculo, maior o ganho de massa muscular. É uma vantagem clara de um treino que permite somar séries com precisão.
O que o Pilates acrescenta?
O Pilates trabalha força com outra ênfase: controle do movimento, estabilidade do tronco e do quadril enquanto braços e pernas se movem, mobilidade com força em amplitudes grandes, e movimentos em rotação e sobre uma perna. Nos aparelhos, as molas oferecem uma resistência que exige controle durante todo o movimento, na ida e na volta.
Há também uma vantagem prática: o Pilates permite começar com o corpo apoiado e carga baixa, o que torna o treino de força acessível para quem está parado há muito tempo, tem dor ou está voltando de lesão. Explicamos quanto de massa magra o Pilates constrói no artigo sobre ganho de massa magra.
Como combinar Pilates e musculação?
Para quem já faz musculação, uma ou duas aulas de Pilates por semana costumam ser suficientes para trabalhar controle, mobilidade e estabilidade, sem competir com a recuperação. Como contamos no artigo sobre lesão em quem treina pesado, a carga que o corpo levanta e a que cada articulação está preparada para receber não são a mesma coisa. O Pilates ajuda a aproximar as duas.
Para quem está começando, com dor ou voltando de lesão, faz sentido inverter a ordem: o Pilates primeiro, e a carga da musculação chegando aos poucos. Essas combinações são orientação prática, coerente com o que se sabe, e não protocolos testados.
Então, qual escolher?
- Se o objetivo principal é volume muscular máximo, a musculação é a ferramenta mais direta.
- Se o objetivo é força com controle, mobilidade e menos dor, o Pilates atende bem.
- Se você quer as duas coisas, elas se somam.
- Se você está parado há muito tempo ou tem dor, o Pilates é uma porta de entrada segura para o treino de força.
A aula experimental começa pela avaliação, e é ali que se vê por onde faz mais sentido começar.
Referências
- Schoenfeld, B. J., Ogborn, D., & Krieger, J. W. (2017). Dose-response relationship between weekly resistance training volume and increases in muscle mass: a systematic review and meta-analysis. Journal of Sports Sciences, 35(11), 1073-1082. doi:10.1080/02640414.2016.1210197
